Mãe só tem uma.
Por séculos, as famílias se organizaram ao redor do amor da mãe. Enquanto o pai tinha o papel de autoridade financeira e líder moral, eram as mães as responsáveis por distribuir e receber os carinhos que fazem da família uma família – e não apenas um grupo de pessoas que vive sob o mesmo teto.
Nesses tempos, o ditado sempre foi verdade: mãe só tem uma. As avós, as doces senhoras que distribuem presentes e mimam as crianças, conviviam com seus netos no final da vida até a partida ao desconhecido, muitas vezes sem ter a chance de acompanhar a maturidade dos jovens ou de se tornar uma bisavó coruja.
Mas uma combinação de fatores está desafiando o ditado popular e a tradicional organização familiar. Nunca na história as crianças conviveram tanto com avós e bisavós. E o papel dos mais velhos está cada vez mais forte dentro das famílias. Na medida em que as mulheres saíram de casa em direção ao mercado de trabalho, os avós se viram na posição de cuidar dos descendentes em horário comercial, com procuração para amar e ajudar a construir os valores das crianças – tarefa que aceitaram com enorme prazer. Hoje, não é raro encontrar avós que passam mais tempo junto das crianças do que os próprios pais.
A medicina também contribuiu para aumentar o amor materno. No início do século 20, a expectativa de vida de uma brasileira mal chegava aos 60 anos. Hoje, uma mulher vive mais de 75 anos. Com mais saúde, avós estão mais ativas e cheias de energia para encarar o novo desafio.
A nova realidade não dilui o amor de mãe. Pelo contrário, aumenta. Em vez de uma, hoje são pelo menos três figuras maternas: a mãe e as duas avós. Mas podem ser muito mais para os felizardos que têm a oportunidade de conviver com as bisavós ou com tias corujas ou ainda com dindas, que se tornam mais do que segundas mães. Mãe biológica só tem uma mesmo. Mas, as de coração, são várias.